A proposta de mudança na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) preocupa especialistas e gestores públicos. A flexibilização das regras fiscais pode comprometer o equilíbrio das contas públicas, especialmente após choques recentes que já fragilizaram as finanças do país. A afirmação de que a mudança é perigosa ecoa entre analistas fiscais.
Governo dobra aposta na fragilização das regras fiscais
O governo federal teria dobrado a aposta na fragilização das regras fiscais, segundo informações disponíveis. A medida, em tramitação no Congresso Nacional, prevê alterar dispositivos da LRF que estabelecem limites para gastos com pessoal e endividamento. Para gestores municipais, a mudança representa risco adicional, já que muitos municípios ainda se recuperam de crises recentes.
A LRF, em vigor desde 2000, é considerada um dos principais instrumentos de disciplina fiscal no Brasil. Qualquer alteração que reduza seu rigor pode abrir precedentes para descontrole orçamentário. A fonte não detalhou os termos exatos da proposta, mas o alerta já acendeu luzes amarelas em órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Choques recentes deterioram finanças públicas
Vários choques recentes deterioraram as finanças públicas, como o coronavírus e as enchentes no Rio Grande do Sul. A pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, exigiu gastos emergenciais maciços e provocou queda na arrecadação. Mais recentemente, as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, impuseram novos custos aos cofres públicos. Esses eventos já testaram os limites da responsabilidade fiscal.
O governo perdeu receita e gastou mais para atender as pessoas afetadas. Esse movimento de aumento de despesas e redução de ingressos agravou o déficit primário. Para os municípios, a situação é ainda mais sensível, pois muitos dependem de transferências constitucionais que também foram impactadas. A combinação de choques sucessivos torna o ambiente fiscal mais vulnerável.
Impacto nos municípios paulistas
Os municípios paulistas, em especial, sentem os efeitos desses choques. A dependência de repasses estaduais e federais, aliada à rigidez de despesas, dificulta o ajuste fiscal. A proposta de mudança na LRF, nesse contexto, pode agravar a situação.
Novo choque: alta do petróleo
Vivemos agora um choque diferente: o aumento do preço do petróleo. A elevação das cotações internacionais impacta diretamente os custos de transporte e logística, além de pressionar a inflação. Para as prefeituras, isso significa aumento de despesas com combustível para frotas e serviços terceirizados, sem contrapartida imediata de receita.
Esse novo cenário reforça a necessidade de manter regras fiscais rígidas. A LRF, nesse contexto, funciona como um anteparo contra decisões que possam comprometer o equilíbrio de longo prazo. A proposta de mudança, portanto, chega em um momento de fragilidade, o que acende o alerta entre controladores internos e secretários municipais.
Para os gestores públicos municipais paulistas, a recomendação é acompanhar de perto a tramitação da proposta e reforçar os mecanismos de controle interno. A captação de recursos via emendas parlamentares, por exemplo, deve observar os limites da LRF, sob pena de sanções. O TCE-SP e o MP-SP já sinalizam que a fiscalização será intensificada caso a lei seja alterada.









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