Secretário do MinC expõe contradição de Flávio Bolsonaro sobre a Lei Rouanet
O secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, reagiu nesta quinta-feira (14) ao áudio divulgado pelo Intercept Brasil, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para concluir o longa-metragem Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua manifestação, Tavares expôs o que classificou como contradição bolsonarista em relação à Lei Rouanet.
Contradição exposta: Rouanet vs. “escurinho do zap”
Márcio Tavares criticou o pedido milionário feito “no escurinho do zap” e afirmou que a Rouanet tem transparência e prestação de contas. Em postagem, escreveu: “Flávio Bolsonaro se gaba de ter ‘zero lei Rouanet’ no filme de R$ 134 milhões sobre o pai. O fato é que a Rouanet tem transparência, prestação de contas e limite de captações. Mas o método deles foi pedir dezenas de milhões no escurinho do zap para um banqueiro preso por fraudes bilionárias.” A declaração foi compartilhada em seu perfil (@marciotsantos).
Confirmação do áudio e valores envolvidos
Na terça-feira (13), Flávio Bolsonaro confirmou a autenticidade do áudio divulgado pelo Intercept Brasil, no qual solicita recursos a Daniel Vorcaro. A matéria original informou que mensagens, documentos e gravações obtidos pelo Intercept apontam tratativas envolvendo até 24 milhões de dólares, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. O senador admitiu ter buscado “patrocínio privado para um filme privado” e negou qualquer irregularidade na negociação.
Em um dos trechos do áudio, Flávio Bolsonaro afirma: “Imagina a gente dar calote no Jim Caviezel, no Cyrus, em nomes tão renomados do cinema americano e mundial. Isso poderia ser muito ruim”. A fala revela a preocupação com a reputação junto a artistas internacionais.
Repercussão e pressão política
A repercussão do caso ampliou a pressão política sobre o entorno bolsonarista e gerou novos pedidos de investigação sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master e figuras ligadas ao bolsonarismo. Márcio Tavares afirmou: “O cinema nacional e a Rouanet agradecem por não serem associadas a esse roteiro de terror.”
A polêmica reacende o debate sobre a transparência no financiamento de produções audiovisuais, contrastando os mecanismos públicos de prestação de contas com negociações privadas sem escrutínio. Para gestores públicos municipais, o caso ilustra a importância de seguir procedimentos formais de captação e prestação de contas, evitando riscos de irregularidades.









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